Hiperbolicidade e Quasi-Anosovs

“Alexander, na Teoria Ergódica, se alguma coisa vai para o infinito, em geral ela vai exponencialmente rápida para o infinito. (A wise Advisor)”

Sabemos que um fluxo é hiperbólico se existe uma decomposição

E^s\oplus\langle X\rangle \oplus E^u

onde E^s possui contração exponencial e E^u possui expansão exponencial.

Porém, é possível relaxar esta condição da seguinte maneira.

Seja X um campo de vetores e X_t o fluxo gerado. Definimos, por E_x o conjunto de vetores v\in T_xM-\langle X\rangle tais que o conjunto \{DX_t(v)\}_{t\geq 0} é limitado. Analogamente, definimos o conjunto F, tomando t\leq 0.

Dizemos que o fluxo é quasi-Anosov se E_x\subset F_x=\{0\}.

Teorema: Todo fluxo quasi-Anosov é hiperbólico. E portanto,

T_xM=E\oplus\langle X\rangle \oplus F.

Note que por compacidade da variedade, temos que existe T>0 tal que para todo v\in T_xM-\langle X\rangle existe -T\leq t\leq T tal que

\|DX_t(v)\|\geq 3\|v\|.

Isto implica que todo campo próximo também é quasi-Anosov.

O primeiro milagre é mostrar que a limitação pode evoluir para quase-convergência a zero!

Proposição 1: Se v\in E então \liminf_{t\to \infty}\|DX_t(V)\|=0.

Prova. Se não, usando a definição de quasi-Anosov temos que existem c,K>0 tais que para todo t\geq 0 temos:

c\|v\|\leq \|DX_t(v)\|\leq K\|v\|.

Assim, exsiste t_n\to \infty e w=\lim_{n\to\infty} DX_{t_n}v\neq 0. Portanto, para todo t\in \mathbb{R}

\|DX_t(w)\|=\|\lim_{n\to\infty}DX_{t+t_n}v\|\leq K\|v\|.

E isto contradiz o fato do fluxo ser quasi-Anosov.

O segundo milagre é que a informação qualitativa se torna uma informação quantitativa robusta!

Proposição 2: Se Y está próximo de X então para todo 0\leq t_1\leq t_2 temos que

\|DY_{t_1}(v)\|\leq K(\|v\|+\|DX_{t_2}(v)\|).

Prova. Pela abertura temos que para todo w existe $latex -T\leq t\leq T$ tal que

\|DY_t(w)\|\geq 2\|w\|.

Fixe v  e t_2\geq 0.  Por compacidade,  tome t_0 tal que:

$latex \|DY_{t_0}(v)\|=\sup_{t\in[0,t_2]}\|DY_t(v)\|.$

Portanto, como $latex -t_1\leq t\leq t_2-t_1$ implica 0\leq t+t_1\leq t_2 temos que, \|DX_t(DX_{t_1}(v))\|\leq \|DX_{t_1}(v)\|. Daí, ou t_1<T ou $t_2-t_1<T$.
No primeiro caso, temos que
\|DX_t(v)\|\leq \sup_{[0,T],\mathcal{U}} \|DY_l\|\|v\|.
E no segundo caso
\|DX_t(v)\|\leq \sup_{[0,T],\mathcal{U}} \|DY_{-l}\|\|DX_{t_2}v\|.
Isto prova a proposição.
Prova do Teorema
Pelo algoritmo de Euclides basta encontrar um T uniforme tal que
\|DX_T|E\|\leq \frac{1}{2}\|
Como o fluxo é quasi-Anosov temos que existe P>0 tal que:
\sup_{[-P,P]}\|DX_t(v)\|\geq 10K^2\|v\|.
Pela condição do liminf, temos que para todo t, existe q_t\geq t, grande, tal que
\|DX_{q_t}(v)\|\leq\|v\|.
Logo, pela proposição anterior temos que:
\|DX_t(v)\|\leq 2K\|v\|\textrm{ para todo }t\geq 0.
Defina T=2P+1. Suponha que existe Y proximo a X e v tal que
\|DY_T(v)\|\geq \frac{1}{2}\|v\|.
Daí, para qualquer 0\leq t\leq T temos que
\|DX_T(v)\|=\|DX_{T-t}(DX_t(v))\|\leq 2K\|DX_t(v)\|.
Isto implica que
\|DX_t(v)\|\geq \frac{1}{4K}\|v\|.
Por outro lado se t_1\geq -P, temos que t_1+P\geq 0, e portanto
\|DX_{t_1}(DX_P(v))\|\leq 2K\|v\|\leq 8K^2\|DX_P(v)\|.
Um absurdo.

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